O mestre-pedreiro Jácome
Biografia
Na casa número 10 da Rua das Águas Verdes, no Pátio de São Pedro, morava Manuel Ferreira Jácome, o mestre-pedreiro que foi procurado para traçar a planta da igreja. Nessa época a rua se chamava dos Calafates, e Jácome não ocupava todo o sobrado, mas apenas os altos, pois a lojinha de baixo era alugada em separado. Os artistas brancos moravam no bairro da Boa Vista e os de cor, no bairro de Santo Antônio. Jácome, como era um artista de cor, moreno, morava em Santo Antônio. Quem morava na Boa Vista era João de Deus Sepúlveda, desenhista e pintor. A Capitania de Olinda, ao examinar o projeto durante seis meses, ficou entusiasmada com sua originalidade, pois não se tratava de cópia de igrejas do Reino. Jácome criara seu próprio projeto. Ao apresentar e vê-lo aprovado, recebeu o título de arquiteto. Houve euforia de uma parte e contrariedade e muita inveja por parte dos colegas. Pouco se sabe sobre a vida de Manuel Ferreira Jácome. O professor Robert C. Smith, que era um dos maiores conhecedores da arte luso-brasileira, referia-se ao artista pernambucano como o “misterioso Manuel Ferreira Jácome”. O pouco que sabemos a respeito de Jácome devemos aos trabalhos pioneiros do professor e pesquisador José Antônio Gonçalves de Mello, o consagrado autor de Tempo dos Flamengos.
Jácome fez seu aprendizado no canteiro de obras de Antônio Fernandes de Matos, grande desenhista e milionário português, figura que viveu no Recife no período de 1671 a 1701, autêntico mascate daqueles que aportavam ao hospitaleiro Pernambuco “sem eira nem beira”, “nus e miseráveis”, mas que com muito trabalho, perspicácia e persistência, ascendiam ao topo de camada social, fazendo parte da burguesia. Mestre-pedreiro natural de Minho, era homem de poucas letras, porém de mãos hábeis afeitas à labuta.
De generosidade invulgar entre seus contemporâneos, fez do Recife a sua cidade, servindo-a como poucos o têm feito até os dias atuais. Muito religioso, Matos participou de várias Irmandades.
Em 8 de novembro de 1677 foi aceito na Irmandade de Almas da Matriz do Corpo Santo, e em 8 de julho de 1700, na Irmandade de São Pedro dos Clérigos, então na mesma Matriz. Empresário bem-sucedido, dinâmico e empreendedor, sua fortuna advinha de fontes variadas: indústria de construção, importador de tecido em grosso para a revenda em Pernambuco e Capitanias vizinhas e encarregado da cobrança de impostos (diríamos de açúcar). Negociava com escravos africanos e dispunha de várias embarcações de alto-mar e de pequena cabotagem. Tinha a seu serviço cerca de uma centena de negros, alguns dos quais eram oficiais de pedreiro. Matos foi dono das matas de Camaragibe, de onde foi retirada a madeira necessária para a construção das pontes do Recife, Boa Vista e Afogados.
Desconhecendo avareza, colocou grande parte de sua fortuna à disposição do Rei, da religião e da comunidade. Fez doações para edificação da Igreja de Nossa Senhora do Ó, de tal maneira a ser considerado seu verdadeiro fundador. Foi responsável pelos reparos do Palácio das Torres – como era chamado o Virjburg, acabado de construir pelo Conde Maurício de Nassau em meados de 1643. Matos fez às suas custas a Casa da Moeda de Pernambuco - maior e melhor que as construídas na Bahia e no Rio de Janeiro – gastando do seu com as obras a quantia de dezenove mil cruzados. O Rei agradeceu-lhe por carta em 24 de setembro de 1700.
Trabalhou no Arco e na Capela do Senhor Bom Jesus, na obra do Molho do Porto, no Quartel dos soldados, nas igrejas e conventos da Madre de Deus e do Carmo e no Hospital do Paraíso.Quando de sua viagem à Corte, Matos recebeu uma carta de recomendação extremamente elogiosa do padre Antônio Vieira
(Trecho do livro Igreja de São Pedro dos Clérigos do Recife).
No Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife é possível encontrar nas palavras de Gilberto Freyre e no olhar de Luís Jardim e Rosa Maria o amor por Recife, Gilberto que morou no Recife no século XX, produziu obras como está que é de de 1968, onde ele retrata os trabalhadores e seus tipos de trabalho de forma poética, algumas igrejas e prédios históricos da cidade como a assembléia legislativa, nesta edição da obra já na capa há o mapa turístico da cidade feito por Rosa Maria: ,
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Uma das tantas personalidades importantes do Recife, Gilberto Freyre...
Um livro que retrata os apreços de Gilberto Freyre por essa cultura expressada pelo povo e pela estrutura da cidade, que como ele disse "Prefere namorados sentimentais a admiradores imediatos".
Sugestões de links para o leitor, conhecer mais amplamente a arquitetura do Recife, assim não só as igrejas como os outros prédios e monumentos históricos:
https://arquiteturecife-se.wixsite.com/arquiteturecife-se
Acessem https://lendasdelori.wordpress.com/
Olhar a postagem da 'Concatedral São Pedro dos Clérigos'.
REFERÊNCIAS:
FREYRE,Gilberto. Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife. Recife: Editora
Global, 2007.
Motivações da fonte para publicar de Amaury no Jornal, disseminar conhecimento histórico sobre a cidade onde mora e os quais também tinha curiosidade.
MEDEIROS, Amaury. O mestre-pedreiro Jacome. Jornal do comércio, Recife, 16 de mar. de 2000. Disponível em: <www.uol.com.br/JC/_2000/1603/art1603htm>. Acesso em: 14 Set. 2017.